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Para o Público

Tireoide e Alimentação: O Que Se Sabe

By 26 de janeiro de 2021 fevereiro 3rd, 2021 No Comments

Propagandas prometendo melhorias na saúde estão por toda parte, seja nos sites, nas redes sociais, ou até mesmo em meios tradicionais, como o rádio e a televisão. Embora pareçam convincentes, muitos destes anúncios não possuem o embasamento científico necessário para ser adotado sem, antes, passar por uma análise de um especialista. No caso dos distúrbios da tireoide, isso não é diferente.

Muitos pacientes procuram informações na internet sobre uma possível “dieta da tireoide”, ou seja, mudanças na alimentação que poderiam tratar ou reverter as doenças relacionadas à glândula.

Recentemente, o site Medscape publicou um artigo reunindo os tópicos mais populares relacionados ao tema e enumerou o que há de evidência científica até agora.

Alimentos Bociogênicos

Alguns alimentos são conhecidos por causarem um aumento da glândula tireoide, mais conhecido como bócio. O componente da dieta mais conhecido relacionado a esse fenômeno é o iodo, que é essencial para a síntese dos hormônios tireoidianos. Além dele, vegetais crucíferos, que incluem brócolis, couve-flor e couve de Bruxelas, também já foram correlacionados com o desenvolvimento de bócio, mas esses relatos são em geral mais anedóticos, de indivíduos que ingeriram esses alimentos de maneira exagerada e cronicamente. A ingesta habitual de maneira saudável desses vegetais apresenta benefícios inquestionáveis para a saúde e não tem aparente efeito deletério na tireoide.

Iodo

De acordo com a publicação, para que o hormônio da tireoide seja produzido de forma saudável no organismo, é preciso que os níveis de iodo estejam normais. A recomendação é de 150 mcg da substância por dia para adultos (250 mcg/dia para as gestantes), segundo o Departamento de Tireoide da SBEM. Se a baixa concentração de iodo é ruim, reduzindo a produção dos hormônios e causando bócio endêmico, a alta também pode ser, levando a uma inflamação da glândula.

Por causa de dietas com restrições alimentares, algumas pessoas podem ter baixos níveis de iodo no organismo. De acordo com o Departamento de Tireoide da SBEM, não significa que seja indicado comprar cápsulas com a substância ou passar a ingeri-la de forma descontrolada. Frutos do mar, peixes, alguns pães, laticínios e grãos são ricos em iodo. Além disso, no Brasil, desde a década de 50, o sal que consumimos no nosso dia a dia já vem com suplementação de iodo instituída por lei, de um programa federal de prevenção da deficiência de iodo.

O iodo é importante? Sim. Mas é preciso ser ingerido na quantidade certa.

Selênio

Outra importante substância para o hormônio da tireoide é o selênio. Presente em alimentos como frutos do mar e carnes orgânicas, no Brasil temos um dos alimentos mais ricos nesse elemento que é a castanha do Pará.

Estudos sugerem que a ingestão de suplementos dessa substância pode reduzir a quantidade de anticorpos contra a tireoide a curto prazo, mas é discutível se esse efeito se mantém a longo prazo e se por isso seria de fato benéfica para quem sofre com doenças autoimunes da tireoide. Mas existem evidências que o uso de selênio possa trazer benefícios para o tratamento de Oftalmopatia de Graves.

Por outro lado, esses alimentos com selênio também precisam ser consumidos de forma equilibrada, quando esse elemento é ingerido de forma exagerada, pode causar diversos sintomas, que incluem náuseas, descoloração, fragilidade e unhas quebradiças, queda de cabelo, aumento do risco de diabetes, entre outros. Por isso, cada caso precisa ser analisado e acompanhado por um especialista.

Soja

A soja é uma fonte de proteína muito usada, atualmente, em dietas com restrições de carne e de leite. No entanto, é importante conhecer os efeitos que o aumento do consumo deste grão pode causar no organismo.

Estudos sugerem que a ingestão da soja, através da ação de um dos seus principais componentes, a isoflavona, pode aumentar o risco de disfunção tireoidiana (aumento da tireoide ou bócio e alteração na absorção do hormônio tireoidiano). Isso é particularmente importante nos casos de crianças com hipotireoidismo congênito em uso de fórmula infantil à base de soja, nesses casos o médico deve prestar mais atenção ao ajuste da dose do hormônio tireoidiano.

Assim, o consumo do grão também precisa ser avaliado e conduzido de forma correta.

Dieta Sem Glúten

Os estudos sobre as dietas livres de glúten para quem tem problemas na tireoide ainda precisam ser mais aprofundados, mas algumas ideias já podem ser traçadas.

O que se sabe é que há boas evidências de que há uma relação entre a doença autoimune da tireoide e a doença celíaca, que é uma reação exagerada do sistema imunológico ao consumo de glúten. Uma pesquisa mostrou um aumento de três vezes nos casos da doença da tireoide naqueles que já possuíam a doença celíaca. Contudo, estudos, até o momento, não conseguiram demonstrar que uma dieta sem glúten a longo prazo e na ausência de doença celíaca, desempenha um papel na saúde de pacientes com ou sem doença tireoidiana estabelecida”.

Muitos são os desafios para saber qual a melhor forma de conviver com as doenças da tireoide. Então, antes de iniciar um tratamento ou mudar a alimentação baseando-se em informações que circulam por aí, é importante procurar um especialista. Uma dieta saudável e um tratamento guiado por um profissional capacitado são fundamentais para alcançar os melhores resultados e lidar com a doença da melhor forma possível.