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Perguntas Comuns sobre a Tireoide

By 17 de setembro de 2015 julho 13th, 2020 No Comments

Qual a função da tireoide?

A tireoide é uma glândula localizada na região anterior do pescoço abaixo da cartilagem cricóide, conhecida como pomo de Adão. Ela é formada por dois lobos, que ficam dispostos de cada lado da traquéia, e pelo istmo que une os dois lobos fazendo com que a glândula tenha formato semelhante ao de uma borboleta. A sua principal função é produzir os hormônios tireoidianos triiodotironina (T3) e tetraiodotironina (T4). A tireoide produz principalmente o T4 e este vai ser transformado periféricamente (dentro das células nos tecidos alvo) em T3, que é o hormônio ativo. O T3 vai se ligar à receptores no núcleo das células estimulando o funcionamento das mesmas. O hormônio tireoidiano age em praticamente todos os órgãos estimulando várias funções, como se fosse a gasolina do corpo humano. O hormônio tireoidiano age no coração controlando os batimentos cardíacos, no intestino controlando o peristaltismo e frequência de evacuações, na temperatura corporal, no humor , na memória e outras funções cognitivas, age também no osso, no músculo e no tecido adiposo, nas mulheres pode alterar a ciclo menstrual e ovulação quando ocorrem disfunções tireoidianas.

  • Principais problemas relacionados à glândula tireoide? Por que ocorrem?

A tireoide pode ter alteração funcional ou anatômica. Quanto a alteração anatômica esta pode ser pela presença de nódulos (bócio uninodular ou multinodular) ou pelo crescimento uniforme da glândula (bócio difuso). O bócio chamado popularmente de papo, significa qualquer aumento da tireoide seja de forma difusa ou nodular. O bócio difuso pode ocorrer nas disfunções tireoidianas, que será comentado posteriormente, ou quando ocorre deficiência de iodo também chamado de bócio endêmico. O bócio endêmico é mais raro no Brasil devido a implementação do iodo no sal de cozinha a mais de uma década.

Os nódulos são detectados ao exame clínico, ou seja pela palpação do pescoço, em 4-7% da população e em 95% dos casos são benignos, no caso dos malignos os pacientes são submetidos a tireodectomia total (retirada da glândula) e reposição hormonal, felizmente a grande maioria dos casos de câncer de tireoide tem um prognóstico excelente quando manejados de forma adequada.

A  tireoide pode ter dois tipos de disfunção o hipotireoidismo, quando funciona menos do que o necessário, e o hipertireoidismo quando a glândula funciona mais do que deveria. Estas disfunções são, na maioria dos casos, genéticamente herdadas e  outros membros da família também são acometidos por estas disfunções. Tanto o hipotireoidismo como o hipertireoidismo são doenças autoimunes, o indivíduo produz autoanticorpos contra a própria tireoide bloqueando ou estimulando o seu funcionamento, respectivamente.

O hipotireoidismo é a alteração mais frequente da tireoide, sua prevalência em mulheres é em torno de 10%, aumenta na menopausa ficando em torno de 12 a 15% nesta fase, em homens é menos frequente sua prevalência é em torno de 3%. A incidência do hipotireoidismo em mulheres é de 4/1000 por ano e nos homens de 0,6/1000 por ano.

  • Como é feito o diagnóstico das disfunções tireoidianas?

A tireoide produz principalmente o T4, que o corpo transforma em T3, para atuar em praticamente todos os órgãos e sistemas do organismo, como um perfeito regulador.

Tais hormônios produzidos pela tireoide aceleram, quando em excesso (o que chamamos de hipertireoidismo), e desaceleram quando em falta (o que chamamos de hipotireoidismo) o funcionamento do organismo. O funcionamento da tireoide, por sua vez, é regulado pelo TSH (hormônio estimulador da tireoide). Ele é produzido pela hipófise e controla o funcionamento da glândula tireoide. Quando ocorre o hipotireoidismo, o TSH se eleva para estimular a glândula, uma vez que o organismo percebe que há pouco T3 e T4 e que precisa estimular a glândula tireoide a produzir mais hormônios. Já quando a tireoide está hiperfuncionante, o TSH fica suprimido.

O TSH é portanto o principal exame para detectar um problema no funcionamento da tireoide. Isso porque podemos detectar níveis normais de T4 e T3 à custa de uma elevação ou redução do TSH e isso já refletir um início de problema tireoidiano.  O T4 na sua forma livre circulante e o T3 podem ser dosados em conjunto para avaliação da função tireoidiana.

Durante as últimas décadas, os avanços na sensibilidade e precisão dos ensaios laboratoriais para dosagem de TSH, bem como o entendimento das disfunções subclínicas (alterações discretas da função tireoidiana), possibilitou fomentar a discussão sobre o que constituem os valores de normalidade do TSH no sangue.

Existem valores de normalidade específicos para crianças, outros para gestantes e ainda para idosos. Portanto, um valor anormal para um grupo de indivíduos pode ser considerado normal para outro.

Este assunto é de fundamental importância porque se relaciona com a realização de rastreamentos populacionais para disfunções tireoidianas e com a determinação do momento adequado para que a terapia de reposição hormonal deva ser iniciada.

Atualmente, os valores normais de TSH sérico, para adultos, situam-se entre 0,4-4,0 mUI/L, na maioria dos kits aplicados.

Mais uma vez destacamos que um TSH elevado aponta para um hipotireoidismo e um TSH baixo para um hipertireoidismo.

A confirmação laboratorial é necessária na maioria dos casos e o acréscimo da dosagem de T4 livre e T3 também podem ser necessários, de acordo com a indicação médica.

  • Por que o emagrecimento ou ganho de peso pode ter alguma relação com o funcionamento da tireoide?

A tireoide é a gasolina do corpo, age estimulando o funcionamento e diversas funções nos diferentes órgãos, portanto ela estimula o metabolismo e o gasto energético. Quando a tireoide esta funcionando menos no caso do hipotireoidismo a paciente vai ter um gasto energético reduzido além de retenção de líquido o que ocasiona um aumento de peso em torno de 10% do peso corporal, no hipertireoidismo ocorre o contrário há um aumento do metabolismo e do gasto energético que a paciente não consegue compensar com o concomitante aumento do apetite. Mas devemos salientar que é um mito dizer que uma pessoa é gorda ou magra porque tem problema de tireoide, estas disfunções causam alteração transitória do peso enquanto a paciente não esta sendo tratada, uma vez que a paciente esta recebendo tratamento adequado o peso vai depender da ingesta e do gasto calórico como ocorre com qualquer pessoa saudável.

  • O que estes problemas podem causar? Podem desencadear outros problemas de saúde a curto ou longo prazo?

No hipotireoidismo o(a) paciente vai apresentar um ou mais destes sinais e sintomas que podem variar de intensidade conforme a gravidade da doença que são a alteração de humor como desânimo e até depressão, memória comprometida, distúrbio do sono, pele seca, queda de cabelo, intolerância ao frio (sente mais frio do que o normal), edema (inchaço) de pálpebras principalmente mas também edema de pernas e mãos, obstipação (intestino preso) nas mulheres pode haver alteração do ciclo menstrual até amenorréia (parada da menstruação) e em ambos os sexos pode haver diminuição da libido. Caso haja demora no diagnóstico e tratamento pode ocorrer anemia, alteração do colesterol, aumento da pressão arterial, insuficiência cardíaca e raramente o coma, que ocorre mais em idosos quando o diagnóstico não é feito ou param de fazer o tratamento adequado.

No hipertireoidismo os sinais e sintomas são opostos aos do hipotireoidismo, ou seja, o (a) paciente vai apresentar agitação, irritabilidade, alteração do sono (insônia), cabelos finos e unhas quebradiças, pele quente e úmida, intolerância ao calor (sente mais calor do que o normal), aumento da frequência de evacuações podendo ter diarreia, alteração do ciclo menstrual (diminuição do intervalo e alteração de fluxo), taquicardia e tremor das mãos. Em longo prazo, o hipertireoidismo pode causar arritmias cardíacas, como fibrilação atrial, diminuição da massa magra (músculo) e diminuição da massa óssea com osteoporose e possível aumento do risco de fraturas em mulheres pós-menopausa.

  • Como manter a tireoide longe de problemas?

Não existe nenhuma dieta ou cuidado especial que possa impedir o aparecimento destas disfunções. Importante ressaltar que as fórmulas de emagrecimento, em geral, contém hormônio tireoidiano para aumentar a gasto calórico, entretanto isto ocorre à custa de um hipertireoidismo que, como comentamos acima, tem efeitos deletérios a saúde. Portanto, é melhor não tentar aumentar a função da tireoide para emagrecer e assim evitar problemas.

  • Como estas disfunções na tireoide devem ser tratadas?

O tratamento do hipotireoidismo é feito com reposição hormonal, levotiroxina, que deve ser tomada diariamente, pela manhã, via oral e em jejum. O médico avalia, com exames de sangue, a função tireoidiana e faz ajustes necessários de dose baseado nos exames laboratoriais e na avaliação clínica da paciente.

No hipertireoidismo há mais de uma opção terapêutica, a droga antitireoidiana, o iodo radioativo ou cirurgia. O paciente pode ser tratado com medicamento que vai diminuir a produção de hormônio tireoidiano pela glândula (droga antitireoidiana) por um período que varia de um a dois anos, neste período em geral o processo imunológico regride.

A outra modalidade de tratamento quando o medicamento não é a melhor opção, como nos casos mais severos ou intolerância ao medicamento, é o tratamento com iodo radioativo que vai provocar morte celular, redução do volume da glândula e hipotireoidismo. No caso deste tratamento o paciente vai precisar fazer reposição hormonal. A terceira opção é o tratamento cirúrgico reservado para casos mais severos ou nos casos em que o bócio é volumoso (aumento exagerado da glândula).

  • De que forma a alimentação influencia no funcionamento da tireoide?

A tireoide utiliza o iodo ingerido na dieta para a produção dos hormônios tireoidianos. Uma dieta adequada deve fornecer cerca de 150 microgramas de iodo por dia, quantidade suficiente para uma adequada produção dos hormônios tireoidianos. Medicamentos, vitaminas ou alimentos com grande quantidade de iodo como frutos do mar, pães industrializados entre outros podem fornecer uma quantidade exagerada de iodo causando disfunção tireoidiana. O excesso de iodo crônico pode ocasionar o hipotireoidismo enquanto que uma sobrecarga aguda de iodo pode causar tanto hipo como hipertireoidismo.

A falta de iodo gera problemas mais graves, pode ocasionar o hipotireoidismo e o desenvolvimento do bócio endêmico. As gestantes, em especial, necessitam cerca de 250 microgramas de iodo por dia, a deficiência de iodo pode ocasionar problemas obstétricos e alterações cognitivas no feto.

  • Qual a importância do hormônio tireoidiano no humor?

A importância da função tireoidiana na regulação do humor e desordens afetivas é conhecida há bastante tempo. O hipotireoidismo frequentemente leva à depressão, assim como o tratamento fica prejudicado na presença do hipotireoidismo.

Vários estudos sugerem uma associação entre depressão e alterações no sistema serotoninérgico central e o eixo hipotálamo-hipófise-tireoide.

* Consultoria Dra. Gisah Carvalho, Presidente do Departamento de Tireoide da SBEM, e Dra. Patrícia de Fátima, membro da diretoria.