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As Mulheres na Endocrinologia

By 20 de julho de 2017 julho 15th, 2020 No Comments

Há tempos as mulheres lutam por reconhecimento profissional em diversas áreas. Na endocrinologia, mais especificamente na tireoide, a presença feminina tem se mostrado muito forte e as endocrinologistas têm conquistado cargos importantes nas Sociedades. Essa liderança feminina foi observada na última edição do Latin American Thyroid Congress (LATS), que aconteceu em junho, no Rio de Janeiro.

A Dra. Ana Luiza Maia, membro da diretoria do Departamento de Tireoide da SBEM e presidente eleita do Latin American Thyroid Society (Gestão 2019-2021), destacou que essa realidade tem sido natural para as médicas. Para ela, ocupar essas posições é consequência de um bom trabalho. “Chegamos a esse patamar sem impor nada. No Departamento de Tireoide, inclusive, temos uma sequência de mulheres na presidência, assim como no LATS. Mas é um trabalho em longo prazo que se conquista com modelos e exemplos.”

Confirmando o que a Dra. Ana Luiza enfatizou, nos últimos cinco anos o Departamento de Tireoide foi presidido por uma mulher. Além da Dra. Célia Nogueira, atual presidente, estiveram à frente da Sociedade Dra. Gisah Amaral (2015-2016), Dra. Carmem Moura (2013-2014), Dra. Laura Ward (2011-2012) e Dra. Edna Kimura (2009-2010). Atualmente, a diretoria da instituição conta com um número significativo de mulheres, sendo seis entre os nove membros.

A Dra. Célia contou que, de acordo com a história, a Faculdade de Medicina da USP graduou em 1918 duas mulheres. Apenas em 1960 surgiu a Associação Brasileira das Mulheres Médicas. Hoje o número de graduadas é superior ao de homens. Por isso, para a endocrinologista não é de se admirar que nas últimas gestões do Departamento de Tireoide a presidência tem sido assumida por mulheres. “As próximas gerações já estão se envolvendo em várias atividades departamentais e que talvez pela predominância feminina se mantenha essa característica de chefias serem exercidas por mulheres.”

Segundo a presidente, essa ascensão faz parte da carreira científica. Ela enfatiza que é importante para o reconhecimento profissional e abrangência nacional e internacional, porém, destacou que o objetivo é sempre trabalhar dentro do rigor ético e científico. “Independente do gênero contamos com pessoas compromissadas com a sociedade e que se dispõe a trabalhar arduamente para manter o Departamento dentro de padrões de excelência.”

A atual presidente do LATS, Dra. Denise de Carvalho, esclareceu que essa representatividade feminina na endocrinologia é um fenômeno mundial. A médica relatou que pôde perceber esse fato durante a entrega de prêmios em um evento europeu. Segundo ela, dentro de um grupo de 15 premiados, apenas 3 eram homens. “Quando a sexta mulher subiu ao palco, pensei: deve ser women in endocrinology. Isso é resultado de muito trabalho e anos de preparação”, afirmou a especialista acrescentando que – para ela – a mulher deve ocupar espaço não por força e nem pelo gênero, mas sim pelo mérito e quando estiver preparada.

Para as especialistas, é importante destacar que para a nova geração de pesquisadores e acadêmicos a questão de gênero já não é tão relevante como antigamente. Mas, ainda assim, a sociedade encara essa realidade como uma novidade e as mulheres ainda precisam trabalhar duas vezes mais do que os homens para mostrarem que têm condições de ocupar um cargo de liderança. De acordo com a Dra. Ana Luiza, apesar da força feminina na endocrinologia, ainda há muito o que se conquistar.