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28/03/2011 Acidente Nuclear no Japão

Departamento de Tireoide da SBEM alerta sobre as condutas a serem tomadas por brasileiros que estão retornando do Japão ao país, assim como seus familiares, em relação ao risco de radiações, após as explosões na usina nuclear de Fukushima Daiichi, afetada pelo terremoto e tsunami do dia 11 de março.

Esclarecimentos à População - Riscos de Radiação Frente ao Recente Acidente Nuclear do Japão

Não há ainda uma estimativa oficial de quantos brasileiros estariam residindo nas áreas expostas à radiação decorrente do recente acidente nuclear no Japão, após o terremoto e tsunami, mas uma parte deles está retornando com as suas famílias ao Brasil.

Atualmente, o Brasil tem a maior população japonesa fora do Japão, sendo a maioria concentrada no Estado de São Paulo. Além disso, os dekasseguis brasileiros constituem o quarto maior contingente de trabalhadores estrangeiros residente no Japão, abrangendo aproximadamente 254 mil brasileiros em condições legais.

Muitos médicos, particularmente nos Estados com maior concentração de imigrantes japoneses, estão ouvindo relatos de pacientes com familiares no Japão, preocupados com os riscos da radiação à tireoide e de como prevenir problemas futuros. Muitos se preocupam, ainda, se existe possibilidade de contaminação após o retorno ao Brasil.

A fonte de radiação de maior preocupação em relação à tireoide é o iodo radioativo (I-131), um isótopo radioativo com risco para a saúde. Os efeitos da radiação pelo I-131 na tireoide podem ser seguramente evitados pelo uso profilático de iodeto de potássio (KI), em geral em dose única, mas seu uso deve ser restrito às populações com claro risco de exposição a elevados níveis de radiação, o que não é o caso da população brasileira.

O iodo é a matéria prima principal que a glândula tireoide utiliza para a formação de seus hormônios. A exposição da glândula a altas concentrações deste isótopo pode levar ao desenvolvimento de nódulos e de câncer da tireoide. Mulheres grávidas; mulheres que amamentam; fetos; bebês; e crianças constituem-se a população de maior risco, conforme demonstrado pela experiência do acidente nuclear de Chernobyl.

Os brasileiros que estão residindo no Japão, particularmente aqueles que estão em áreas próximas à radiação, devem obedecer as normas e condutas estabelecidas pelas autoridades japonesas, que estão atentas e tomando todas as medidas de precauções necessárias para cada região e indivíduo.

Os brasileiros que estão retornando ao Brasil deverão obedecer às recomendações do Ministério da Saúde do Brasil. Em casos de contaminação, os indivíduos devem ser avaliados por um endocrinologista para verificação da necessidade de medidas profiláticas.

Residentes no Brasil que estão recebendo seus familiares de volta ao país, também não devem se preocupar, uma vez que a principal fonte de contaminação com o iodo radioativo ocorre através da ingestão de alimentos contaminados. O Ministério da Agricultura brasileiro está tomando as medidas fitosanitárias adequadas para evitar a importação de alimentos contaminados provenientes do Japão, como legumes, algas marinhas e peixes.

Embora o uso do profilático do iodeto de potássio seja considerado muito seguro, há riscos de reações alérgicas com erupções cutâneas, desconforto abdominal e vômito. Além disso, o uso de KI, por período longo, pode alterar a função da tireoide. Portanto, o uso do KI deve se restringir a indicações médicas precisas, obedecendo às recomendações específicas da Organização Mundial da Saúde.

Considerando-se as evidências até o momento, o Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia não recomenda o uso profilático de iodeto de potássio para prevenção aos efeitos da radiação ionizante, decorrente do recente acidente nuclear japonês. A população brasileira não está exposta a nenhum risco e medidas individuais devem ser adotadas para os brasileiros que estão retornando ao país após o acidente.  Como a vida média do efeito radiativo do  I-131 é de 8 dias, o efeito ionizante do I-131 não persiste além de duas semanas após a exposição ou contaminação.

Para maiores esclarecimentos ou em caso de dúvida, procure o seu endocrinologista.

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