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16/02/2011 Ronaldo e o Hipotireoidismo

Por Pablo de Moraes

O hipotireoidismo e as recentes contusões foram as causas alegadas pelo o jogador Ronaldo (Fenômeno) no anúncio de sua aposentadoria, no dia 14 de fevereiro. Criticado por estar acima do peso, o esportista afirmou que a baixa produção de hormônios pela tireoide o impediu de se manter em forma. Ronaldo disse ainda que não tomava os medicamentos pois os hormônios necessários para o tratamento poderiam ser considerados dopping e, por isso, eram proibidos no futebol.

Segundo o Dr. José Sgarbi, membro do Departamento de Tireoide e professor da Universidade de Marília (SP),o tratamento do hipotiroidismo é muito simples, eficaz e de baixo custo. “A terapia de reposição hormonal tiroidiana, para os casos indicados, deve ser realizada com a L-tiroxina, que é o hormônio T4. Os pacientes devem usar o medicamento diariamente, em jejum, e 30 minutos antes do café da manhã, sempre com água. A dose adequada será determinada pelo endocrinologista do paciente de acordo com exames do TSH. Recomenda-se uma avaliação semestral para controle da dose”, afirma o endocrinologista.

De acordo com o especialista, o tratamento não resultaria em dopping. “A glândula sintetiza e secreta dois hormônios, o T3 e o T4, mas somente o T4 é utilizado para a reposição hormonal no tratamento do hipotireoidismo, que não se configura em dopping. O emprego do T3 poderia ser considerado dopping, mas a utilização ou a comercialização do T3 é proibida no Brasil”, completa.

Para Dr. José Sgarbi a falta do tratamento ou tratamento irregular do hipotiroidismo pode causar desde sintomas indesejáveis, como cansaço, desânimo, limitação da capacidade física, humor deprimido, prejuízo de memória e alterações da pele e cabelo, até complicações mais sérias, como maior risco de infarto agudo do miocárdio e insuficiência cardíaca. “Casos mais extremos, hoje muito raros, podem evoluir para uma forma mais grave, conhecida como coma mixedematoso, com evolução frequente ao óbito”.

Para o Dr. Mario Vaisman, membro do Departamento de Tireoide e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o excesso de peso, levando a obesidade, também não pode ser justificado pelo hipotireoidismo. “A disfunção pode estar colaborando apenas para a dificuldade em perder peso, mas isso pode ser controlado. Com a medicação correta, qualquer um realiza suas atividades normalmente, inclusive esportes de alto nível”, reitera. “Neste caso específico, à falta de vigor físico e as constantes lesões musculares podem ter relação com o não tratamento adequado da disfunção”, completa.

Em geral o hipotiroidismo é um estado definitivo. Em casos específicos, como após uma tiroidite subaguda, pode ser apenas transitório. Uma vez instalado, é definitivo e deverá ser tratado por toda a vida.
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