Entretanto, isso não foi o bastante. "Somente a partir de 1995 é que o Programa Nacional de Sal Iodado passou a funcionar muito bem, suprindo toda a população brasileira", informa o médico Geraldo Monteiro, professor do Depto de Clínica Médica (Endocrinologia) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e presidente do Instituto da Tireóide. "Sem o iodo a população pode passar a apresentar distúrbios como o bócio; o nascimento de crianças com deficiência de tireóide, que podem levar a surdo-mudez, e debilidade mental", explica.
O Dr. Monteiro lembra ainda que a falta de iodo na população leva a um "rebaixamento mental" com crianças sofrendo repetições na escola, por exemplo. A principal forma de ingerir é exatamente por meio do sal iodado e de alimentos como: carnes defumadas, embutidos, frios, enlatados, conservas, molho de soja, peixes e frutos do mar, algas, gema de ovo, maionese, laticínios, pães industrializados, cereais em caixas, agrião, aipo, couve de bruxelas, repolho e frutas enlatadas.
"Doenças que ocorrem pela carência de iodo representam um problema de saúde pública e sua prevenção e profilaxia são mais fáceis e exeqüíveis comparado ao enorme custo de diagnosticar e tratamento de suas conseqüências" lembra a doutora Glaucia Duarte, que produziu uma tese sobre a ingestão de iodo em 964 estudantes.
Apesar da principal preocupação ser a carência do iodo, o excesso também pode acarretar diversos males. Sua ingestão exagerada durante longos períodos podem causar o hipertireoidismo. "Apenas uma ingestão temporária não afetará a maioria das pessoas, exceto os idosos que já tenham nódulos na tireóide que, eventualmente, já produzem mais hormônio.
Outro ponto a ser observado é no caso da Tireoidite de Hashimoto, que é doença autoimune (o próprio corpo ataca a tireóide) e de origem genética. A exposição elevada de iodo por alguns anos pode provocar o aparecimento na população de novos casos", lembra o Dr. Monteiro.
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