02/10/2020 Agentes Ambientais e Função Tireoidiana

Será que os fatores ambientais podem influenciar no funcionamento da glândula da tireoide? Esse será um dos debates da próxima edição do Encontro Brasileiro de Tireoide (EBT 2020), no final de outubro.

A Dra. Laura Ward abordou algumas questões sobre o assunto e explicou que alguns fatores físicos, químicos e biológicos podem estar relacionados à algumas disfunções tireoidianas. Segundo ela, há várias pesquisas, inclusive nacionais, sobre a influência desses fatores na saúde e nos distúrbios da tireoide.

Fatores Físicos

A especialista esclareceu que a radiação ionizante é o principal fator reconhecido como causador de câncer de tireoide.

A médica lembrou que acontecimentos históricos podem ser considerados os responsáveis pelo aumento dos casos de câncer de tireoide em pacientes expostos à radiação ionizante: eventos como as bombas atômicas que atingiram as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, na Segunda Guerra Mundial (1945), e o acidente nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986. Além disso, o uso terapêutico de radiação ionizante para tratar, por exemplo, linfoma de Hodgkin, é fator importante de risco para câncer de tireoide.

Dra. Laura explicou, também, que esse tipo de radiação eleva o risco do desenvolvimento de doenças autoimunes, como a Tireoidite de Hashimoto.

Fatores Químicos

A endocrinologista explicou que uma série de fatores químicos têm sido relacionados ao risco de câncer de tireoide e doenças autoimunes, além de interferirem no metabolismo dos hormônios tireoidianos. Destacou o Iodo, a Biotina e o Bisfenol A.

Iodo

O iodo é o principal componente químico dos hormônios da tireoide. O mineral está presente diariamente na alimentação da população e fornece matéria prima para a produção de T3 e T4, assim denominados devido às moléculas de iodo que cada composto possui, explicou a endocrinologista.

“A falta de iodo está relacionada ao risco maior da pessoa desenvolver câncer de tireoide (tumores papilíferos), enquanto o excesso aumenta o risco de um tipo mais agressivo de câncer, o folicular. Além disso, esse excesso também está relacionado à incidência de Tireoidite de Hashimoto.”

O surgimento de bócios também pode ser causado pela falta do consumo de iodo. Segundo a médica, o bócio é a mais frequente causa de deficiência mental corrigível no mundo todo.

Biotina e Bisfenol A

O uso da biotina também está entre os fatores químicos que afetam a glândula da tireoide. Ela leva à diminuição dos níveis séricos de TSH e pode se confundir com o hipertireoidismo. 

Dra. Laura destacou, ainda, que é muito importante ficar atento aos disruptores endócrinos como o Bisfenol A. “Esse composto pode causar várias anormalidades hormonais e, talvez, também seja fator de risco para doenças tireoidianas tumorais e autoimunes.”

A especialista enfatizou que o grupo de pesquisa do qual faz parte investiga os efeitos do Bisfenol e do Glifosato (o herbicida mais frequentemente usado) no desenvolvimento de tumores tireoidianos. As pesquisas são feitas no Laboratório de Genética Molecular do Câncer (GeMOCA), da UNICAMP, em colaboração com o grupo da Dra. Isabel Chiamolera, da UNIFESP.

Outra questão apontada por ela é a relação entre poluição ambiental e Tireoidite de Hashimoto. Segundo a médica, há diversos trabalhos que abordam o tema. “Existem várias pesquisas sobre o assunto, inclusive brasileiras, que mostram maior incidência da doença (TH) em áreas próximas às indústrias poluentes.”

Fatores Biológicos

No aspecto biológico, Dra. Laura destacou que os vírus e as bactérias estão entre os fatores que podem desencadear doenças da tireoide. Estudos sobre o assunto estão sendo realizados e a médica informou que o grupo de pesquisa no qual integra vem demonstrando a influência das infecções por um vírus da família dos Herpes Vírus, Espstein Barr, no aparecimento de casos de câncer de tireoide. 

 

“Nossa saúde, de maneira geral, e a função tireoidiana em particular dependem da interação que temos com o meio ambiente. À medida que compreendemos melhor como ocorre essa interação, vai ficando mais claro que precisamos cuidar de nosso meio ambiente se quisermos viver mais e de forma mais saudável”, concluiu Dra. Laura.

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